Arte gótica: história, características e exemplos

Obra de arte

A arte gótica está representada na pintura, escultura, música e principalmente na arquitetura. Iniciou-se na França em meados do século XII, a partir do período românico, e alastrou-se pela Europa ocidental e central durante a Idade Média. A arquitetura foi a forma mais importante e original durante o período gótico.

Esteticamente ornamentado e conceitualmente transcendente, o estilo gótico tornou-se um dos movimentos arquitetônicos mais característicos do mundo. Embora tenha se originado na Idade Média, o gênero único continua a cativar olhares ainda hoje, como fica evidente em alguns dos mais belos pontos turísticos da Europa.

Enquanto a abordagem gótica parece ser uma nova forma de arquitetura, seu estilo foi moldado por diferentes influências. Aqui, nós exploramos o gênero, observando de perto a sua rica história, definindo algumas de suas características e trazendo os exemplos mais conhecidos.

De onde surgiu o termo gótico?

O termo gótico foi dado pelo classicismo de escritores italianos da Renascença, que atribuíram a invenção (e o que para eles era a feiura não clássica) da arquitetura medieval às tribos góticas bárbaras que haviam destruído o Império Romano e sua cultura clássica. O termo reteve suas implicações depreciativas até o século XIX, época em que ocorreu uma reavaliação crítica positiva da arquitetura gótica.

Contexto histórico

Durante a Idade Média, um novo estilo de arquitetura surgiu na Europa. Inicialmente referido como “Opus Francigenum, ou “Obra Francesa”, esse gênero arquitetônico dominou os gostos dos europeus – ou seja, o da Igreja Católica Romana – até o século XVI, quando enfim ficou conhecido pelo termo “gótico”.

O estilo gótico evoluiu da arquitetura românica, uma estética medieval caracterizada por arcos, tetos abobadados e pequenos vitrais. A arquitetura gótica adotou e adaptou esses elementos românicos para produzir um novo estilo de construção que apresentava arcos exagerados, aumento da abóbada e amplas janelas. Além de reinterpretar essas características, a arquitetura gótica também abandonou uma das principais características da arquitetura românica: suas paredes grossas.

Para construir prédios mais altos e mais delicados, com paredes mais finas, os arquitetos góticos empregavam contrafortes para apoio. Essas estruturas de pedra permitiram que os arquitetos criassem catedrais e igrejas que evocassem a beleza etérea e alcançassem os céus.

Elementos clássicos

Embora o estilo gótico possa variar de acordo com a localização, a idade e o tipo de edifício, ele é frequentemente caracterizado por cinco elementos arquitetônicos principais: grandes vitrais, arcos pontiagudos, abóbadas com nervuras, arcobotantes e decoração ornamentada.

Grandes vitrais

Enquanto vitrais são encontrados em muitos lugares de culto, eles são particularmente predominantes nas catedrais góticas. Com vidros coloridos meticulosamente cortados, essas janelas caleidoscópicas, que normalmente são altas e arqueadas ou arredondadas, são maiores do que as encontradas em outros tipos de igrejas. Isso permitiu que eles deixassem entrar uma luz mais deslumbrante. Vitrais góticos também apresentam frequentemente rendilhado, um tipo decorativo de suporte de pedra e cenas detalhadas de histórias bíblicas.

Arcos pontiagudos

Uma característica primordial de muitas estruturas religiosas, muitas arcadas podem ser encontradas na maioria das igrejas e catedrais góticas. Em vez dos arcos largos e arredondados característicos dos edifícios românicos, no entanto, os arquitetos que trabalhavam no estilo gótico adaptaram os arcos altos e finos da arquitetura islâmica.

Essa silhueta acentuava a altura de cada catedral, apontava simbolicamente para o céu e acomodava uma abóbada de formato semelhante.

Abóbadas com nervuras

A fim de incorporar tetos e janelas mais altas em seus projetos, os arquitetos que desenvolveram a arte gótica resumo utilizaram um novo método de suporte estrutural chamado de abóbada com nervuras. Esse método envolve o uso de abóbadas de barris em interseção, com os arcos colocados paralelamente uns aos outros para suportar um telhado arredondado.

Além de apresentar uma estética mais decorativa do que as abóbadas de barril tradicionais, essas construções cruzadas oferecem maior suporte para os prédios altos.

Suportes aéreos

Além dessas avançadas técnicas de compartimentação, os arquitetos da arte gótica empregaram outro método único de suporte estrutural chamado de arcobotantes. Estas estruturas de pedra projetada reforçaram os edifícios redistribuindo o peso do telhado pesado a um nível mais baixo, mais contínuo.

Os arcobotantes asseguravam a integridade das catedrais, de modo que o peso era bem distribuído por essa estrutura arqueada, e assim as paredes finas e as grandes janelas, poderiam ser sustentadas sem dificuldade.

Decoração ornamentada

Uma característica final encontrada na arquitetura gótica é a presença de elementos decorativos ornamentados. Estes incluem colunas embelezadas, molduras esculturais, estátuas de santos e figuras históricas, pináculos e os famosos gárgulas, figuras grotescas que funcionam como bicos de água.

Escultura

As esculturas góticas estão intimamente ligadas à arquitetura, uma vez que são usadas principalmente para decorar o exterior das catedrais. As primeiras esculturas góticas eram figuras de pedra de santos e da Sagrada Família, que costumavam decorar as portas, ou portais, de catedrais na França.

A escultura gótica surgiu nas paredes da Basílica de Saint Denis em meados do século XII. Antes disso, não havia tradição de escultura em Ile-de-France, então escultores foram trazidos da Borgonha. Eles criaram as figuras revolucionárias com formas rígidas, retas, simples, alongadas e hieráticas, atuando como colunas no Portal Ocidental da Catedral de Chartres, uma invenção inteiramente nova que influenciou uma geração de escultores.

Já no início do século XIII, as esculturas tornaram-se mais relaxadas e naturalistas. Embora continuasse mantendo a dignidade e monumentalidade de seus predecessores, agora possuíam rostos e figuras individualizadas, poses e gestos naturais, e exibiam uma postura clássica.

Esculturas monumentais assumiram um papel cada vez mais proeminente durante os períodos alto e tardio do gótico e foram colocadas em grande número nas fachadas das catedrais, muitas vezes em seus próprios nichos. No século XIV, a escultura gótica tornou-se mais refinada e elegante e adquiriu uma delicadeza educada em sua roupagem, agora mais elaborada.

Pintura

A pintura gótica seguiu a mesma evolução da escultura. De formas rígidas, simples e hieráticas para formas mais relaxadas e naturais. Sua escala cresceu apenas no início do século XIV, quando começou a ser usada na decoração do retábulo (painel ornamental atrás de um altar). Tais pinturas geralmente apresentavam cenas e figuras do Novo Testamento, particularmente da Paixão de Cristo e da Virgem Maria.

Essas pinturas dão ênfase no fluxo, nas linhas curvas, nos mínimos detalhes e na decoração refinada, e o ouro era frequentemente aplicado ao painel como cor de fundo. As composições tornaram-se mais complexas com o passar do tempo, e os pintores começaram a buscar meios de descrever a profundidade espacial de suas imagens, uma busca que eventualmente levou ao domínio da perspectiva nos primeiros anos do Renascimento italiano.

Edifícios notáveis da arte gótica

Edifícios góticos podem ser encontrados em cidades de toda a França e em toda a Europa. Lugares notáveis na França são a Catedral Notre-Dame de Paris, a Catedral de Chartres e a Catedral de Reims. Outros exemplos europeus incluem a Catedral de Milão, a Abadia de Westminster de Londres, a Catedral de Santo Estêvão em Viena e a Catedral de Sevilha.

Fonte: https://artout.com.br

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